segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Resumo do 1º Artigo cientifico

Alterações cinemáticas no remate de futebol induzidas pela fadiga

João Carreira1; Rui Silva1; Pedro Morouço2
1 Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Leiria, Leiria, Portugal
2 Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Leiria, Leiria, Portugal

Introdução
O Futebol é o desporto colectivo mais praticado no mundo sendo jogado por mais de 200 milhões de pessoas em 190 países, independentemente da idade, género e nível técnico (Cunha, 2003). O objectivo do presente estudo foi analisar as alterações cinemáticas que ocorrem no remate de futebol com diferentes níveis de fadiga em jovens jogadores.

Metodologia
A amostra foi constituída por 9 jogadores jovens do sexo masculino (7.6±0.73anos; 29.4±3.71kg; 130.6±5.73cm). Cada elemento constituinte da amostra executou 5 remates para uma baliza e entre cada remate fez um protocolo de fadiga muscular. Foram objecto de estudo o 1º, 3º e 5º remate perfazendo um total de 27 remates. O estudo consistiu em verificar as variações entre remates para a velocidade do pé, velocidade do CM, velocidade da bola, velocidade da anca horizontal, ângulo perna/coxa, ângulo perna/pé e ângulo coxa/tronco. O movimento de remate foi capturado por 2 câmaras a 50Hz e analisado através do sistema de análise tridimensional do movimento Ariel Performance Analysis System da Ariel Dynamics, Inc. Foram definidas as variáveis em estudo e realizado o teste de Shapiro-Wilk. Para a análise inferencial das variáveis foi utilizada a One-Way ANOVA, tendo sido adoptado um nível de significância de 95% (p≤0.05), sendo referido sempre que verificado um nível de significância de 99% (p≤0.01).

Resultados
Verificou-se uma diminuição do Vpémed, Vcmmax, Vcmmin (p≤0.01), Vcmmed (p≤0.05), Vancaxmed, Vancaxmax, Vbolamax, Vpémax do 2º para 3º remate; para Acoxa/troncomed (p≤0.01), Aperna/coxamin (p≤0.05), Aperna/coxa¬¬¬bola e o Aperna/pébola aumentaram do 2º para o 3º. A diminuição encontrada para as velocidades deve-se ao facto dos jogadores já estarem em elevado esforço físico devido ao efeito produzido pelo protocolo de fadiga. Para a Vpémed houve uma redução muito elevada e significativa do 2º para o 3º remate (6.7±0.51m/s vs 5.9±0.47m/s), porque no 2º remate os jogadores ainda tinham níveis de fadiga baixos enquanto no 3º remate os jogadores encontravam-se com níveis de fadiga elevados, não conseguindo impor tanta velocidade ao pé. A diminuição encontrada para a Vancaxmax e para a Vcmmax (4.7±0.68m/s vs 3.8±0.17m/s) verificou-se devido aos jogadores encontrarem-se com níveis de fadiga elevados, fazendo com que a sua velocidade de execução do remate diminui-se com o esforço físico imposto pelo protocolo de fadiga. Os valores encontrados para a Vbolamax (15.7±1.77m/s vs 14.4±0.73m/s) com um decréscimo de 1.3m/s vão de acordo aos achados por Apriantono et al. (2006) para idades de 20.0±2.1 anos (28.4±1.6m/s vs 26.8±1.1m/s) com um decréscimo de 1.6m/s. O aumento do Aperna/coxamin aconteceu porque os jogadores com elevado esforço físico trazido do protocolo de fadiga não flectiram tanto o joelho, isto é, os jogadores não conseguiram aproximar tanto o pé à coxa, existindo um aumento de 15.0% (12.5°). Para o Acoxa/troncomed o aumento encontrado foi muito pequeno (1.3°) demonstrado que a fadiga teve pouco efeito neste ângulo. O aumento encontrado para o Aperna/coxabola foi pequeno (3.6°) significando pouca influência da fadiga, este pequeno aumento poderá dever-se à aleatoriedade da amostra. O pequeno aumento encontrado para o Aperna/pébola (0.3°) significa que o efeito da fadiga não afecta este ângulo. Os resultados obtidos permitem identificar as alterações cinemáticas que ocorrem com a fadiga devendo ser tidas em conta em situações de treino.

Referências
Apriantono T, Nunome H, Ikegami Y, Sano S. The effect of muscle fatigue on instep kicking kinetics and kinematics in association football. J Sport Sci, 2006; 24, 951-960.
Cunha SA. Análises Biomecânicas no Futebol, 2003. Rio Claro

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

3º Congresso Nacional de Biomecânica



3º Congresso Nacional de Biomecânica
Instituto Politécnico de Bragança | 11-12 Fevereiro 2009
http://conference.inegi.up.pt/biomecanica/index.php

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Cinemática no Remate de Futebol

O interesse pela análise do movimento de um remate no Futebol tem vindo a crescer entre as áreas científicas que investigam tal fenómeno. A descrição detalhada do movimento de um remate, através da cinemetria, tem-se vindo a mostrar de grande auxílio para uma melhor compreensão deste fundamento no Futebol.
Durante o movimento do remate, as funções das pernas são uma corrente cinética aberta. O movimento padrão do remate é geralmente aceite como uma sequência proximal-distal . O segmento proximal (coxa) inicia o movimento, causando um maior segmento distal (perna e pé) deixando-o para trás, seguindo-se por uma desaceleração do segmento proximal e uma aceleração no segmento distal momentos antes do impacto (Lees, 1996; Lees and Nolan, 1998). Durante o movimento do remate, os segmentos da perna que remata move-se por rotação por um eixo imaginário que passa através da junção do segmento proximal.
O movimento dos segmentos de rotação do corpo no remate podem ser descritos nos termos da posição angular, velocidade e aceleração. A velocidade linear do centro de massa de rotação do pé quando acerta na bola, é directamente proporcional ao produto da velocidade angular com o raio de rotação dos segmentos consecutivos do corpo e da velocidade linear da junção do quadril. O tempo destes movimentos rotacionais são importantes para o impacto da bola com o pé. Putnam (1983) usou o tempo entre o pico de velocidade angular da coxa até ao início da extensão do joelho como uma medida de tempo durante o remate. Luhtanen (1988) usou um intervalo entre a velocidade angular máxima atingida pela perna e o impacto medido pelo tempo.
A velocidade angular do sistema de segmentos inter-ligados da perna que remata, depende da energia transferida entre os segmentos, os momentos musculares produzidos pela rotação do quadril, perna e pé e pela inércia rotacional dos segmentos de toda a perna.

Rendimento desportivo

No Desporto em geral acreditava-se que não eram necessárias pesquisas científicas para auxiliarem os seus profissionais para retirar o máximo proveito dos seus atletas. Apesar desta mentalidade, na actualidade, todos os profissionais envolvidos no desenvolvimento dos atletas renderam-se à evolução da ciência e utilizam-na regularmente para conseguir retirar dos seus jogadores uma máxima performance. A performance de um jogador de Futebol é afectada por diversos factores, podemos referir que são cinco os agentes intrínsecos à melhoria do rendimento: os factores biomecânicos, bioenergéticos e psicológicos que influenciam de forma directa, e os contextuais e genéticos de forma indirecta.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008